quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Kramer vs. Kramer, de Robert Benton (1979)

Não apreciei muito esse filme. Talvez tenha sido meu estado semi-faminto, semi-exausto. Primeira vez que vi Dustin Hoffman jovem; acredito que esse seja mesmo um dos mais significantes comentários a se fazer. Porque a velha história de um pai que prioriza o trabalho em vez da família e depois aprende que estava errado, que na verdade o mais importante é priorizar quem se ama está super desgastada.

Identifiquei-me com sua inaptidão inicial em conciliar trabalho e cuidado com o filho. Também sinto que tenho sido pouco hábil em juntar obrigações com prazeres. E tenho deixado minha vida acadêmica, mais uma vez, em segundo plano. O filme também aponta que uma relação bem-sucedida se faz em insistir no diálogo, apesar da falta de paciência com que se costuma ter para com familiares. Nesse ponto, Kramer se vai descobrindo um bom pai, ao ouvir e se envolver com a vida de seu filho.

Estar informado sobre a vida das pessoas que moram conosco é uma tarefa árdua. O cotidiano vai tornando os contatos cada vez mais mecânicos, previsíveis e superficiais. Foi justamente isso que abalou a relação com sua esposa, que a fez se sentir só e perdida, sem papel naquele espaço. Isso eu acho que entendo, penso ter visto algumas vezes: mulheres que se moldaram as vidas de seus maridos, em relações de pouco diálogo e compreensão.

Um filme previsível, enfim. O roteiro bem-acertado, no entanto, com a atuação excepcional, me permite dizer que é um bom filme. Talvez não traga nenhuma mensagem. Mas prende a atenção.

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