É um filme belo, indispensável dizer. As imagens encantam, sobressai-se a floresta sul-americana em que foi produzido. Mas, mais importante que o que se vê, é o que se sente com o conjunto da obra – imagem e som, e pensando nisso, a longa-metragem me foi fantasticamente tocante.
Há uma contraposição clara permeando os acontecimentos na vida de Ofélia. Dois universos: em um deles os olhos, os ouvidos e a boca funcionam fisiologicamente como se espera, autômatos, a realidade não surpreende, que de tão objetiva, clara, não se pode escapar, não se transcende a crueldade, que não é mais que uma manifestação de incompreensão que o Eu habita o outro. O mundo contrastante a este se mostra totalmente distinto, se expressando pela existência da possibilidade. Os olhos funcionam fisiologicamente como no primeiro, mas podem ver o que se sente: faunos, fadas, reinos, criaturas mágicas. A vida torna-se mais leve; os sofrimentos diluem-se.
A garota passeia alternadamente pelos mundos. E cabe ao interlocutor decidir em qual acredita: Ofélia simplesmente fantasia em demonstrações de esquizofrenia sobre os contos de fada que lê para fugir da realidade ou é uma princesa de um mundo subterrâneo onde não existem mentiras ou dor? É preciso morrer quando se habita o não-mágico, o cru, em que a existência se esvai por causos de insignificante propósito, para se conhecer a pureza e a sabedoria que existe na magia?
Tanta injustiça e crueldade sofrem as pessoas no filme e fora dele. Como lutar contra isso? Não sei a resposta, só desconfio que a confiança no que é mágico, inesperado e incompreensível faça parte dela.
Há uma contraposição clara permeando os acontecimentos na vida de Ofélia. Dois universos: em um deles os olhos, os ouvidos e a boca funcionam fisiologicamente como se espera, autômatos, a realidade não surpreende, que de tão objetiva, clara, não se pode escapar, não se transcende a crueldade, que não é mais que uma manifestação de incompreensão que o Eu habita o outro. O mundo contrastante a este se mostra totalmente distinto, se expressando pela existência da possibilidade. Os olhos funcionam fisiologicamente como no primeiro, mas podem ver o que se sente: faunos, fadas, reinos, criaturas mágicas. A vida torna-se mais leve; os sofrimentos diluem-se.
A garota passeia alternadamente pelos mundos. E cabe ao interlocutor decidir em qual acredita: Ofélia simplesmente fantasia em demonstrações de esquizofrenia sobre os contos de fada que lê para fugir da realidade ou é uma princesa de um mundo subterrâneo onde não existem mentiras ou dor? É preciso morrer quando se habita o não-mágico, o cru, em que a existência se esvai por causos de insignificante propósito, para se conhecer a pureza e a sabedoria que existe na magia?
Tanta injustiça e crueldade sofrem as pessoas no filme e fora dele. Como lutar contra isso? Não sei a resposta, só desconfio que a confiança no que é mágico, inesperado e incompreensível faça parte dela.
