sábado, 9 de agosto de 2008

Blade Runner – O caçador de andróides (1982)

Num futuro, em que a Terra mais se parece com um amontoado de dejetos robóticos, o filme mostra os problemas que a tecnologia pode trazer. É produzido um ser de composto orgânico-robótico, chamado replicante, para ajudar em missões de difícil execução ou de alta periculosidade. Estes seres, no entanto, que apresentam inteligência humana e força descomunal, corrompem-se facilmente por serem emocionalmente instáveis. Então, são criados os blades runners, os caçadores de andróides, para destri-los.

Percebe-se que a idéia de futuro apresentada no filme é de evidente pessimismo. Os humanos pouco foram capazes de evoluir na construção de uma sociedade de bem-estar para todos. Em vez disso, brincam de criadores de vida e constroem máquinas avançadíssimas, quase humanas, sem ter nenhum tipo de preocupação ética. Os andróides são obrigados a cumprir sua função; os rebelados são simplesmente deletados.

Acompanhamos a trajetória de um blade runner e quatro replicantes restantes. Um deles força um encontro com quem o projetou, pedindo por mais tempo de vida, já que os andróides replicantes foram feitos para durarem quatro anos. Este diz ser impossível tal feito e argumenta que eles são máquinas perfeitas, que por brilharem mais tem, conseqüentemente, uma curta duração. Ao se convencer que sua dor não pode ser apagada, que não pode ter mais tempo de vida, o andróide destrói seu criador.

No momento critico do longa-metragem, em que o blade runner encontra-se encurralado por esse replicante rebelado, questiona-se naquele instante se é possível para o caçador entender como é ser escravo: ser caçado ao sair da linha do que foi programado, viver constantemente com medo... O que significa vida naquele sistema? São colocações que persistem.

Blade Runner, o caçador de andróides é um filme estadunidense de 1982, do gênero ficção científica, realizado por Ridley Scott, e ilustrando uma visão negra e futurística de Los Angeles em novembro de 2019.

domingo, 3 de agosto de 2008

INTO THE WILD - Na natureza selvagem

Eu assisti a esse filme à tarde do dia 1° de agosto, num momento em que era preciso reencontrar coragem e motivação para fazer minhas atividades profissionais diárias. Foi, sem dúvida, um momento válido, que inclusive me instigou a vê-lo mais de uma vez.

A história é sobre um garoto que acaba de concluir a formação universitária. No entanto, querendo se desintoxicar dos males da “civilização”, ele parte de casa, livra-se do dinheiro e passa a viver como uma viajante, fazendo e conseguindo tudo unicamente com suas mãos, com sua força de vontade. Leituras como Jack London e convivência com a hipocrisia e a intolerância, que ele acompanhava marcamente em casa, fizeram com que Chris passasse a negar seus valores culturais deletérios, como o materialismo. Assim, nasce o Alexander Supertramp, o nome que dá a seu novo eu. O garoto que diz não precisar de dinheiro, pois este torna as pessoas mais cautelosas, e ter tudo que precisa na natureza, na aventura e em si.

Identifiquei-me
bastante com sua visão de mundo e com sua ousadia.
Dos momentos marcantes, há um em que ele vai a Los Angeles e se percebe perturbado pela maneira de vida das pessoas. Vê que poderia ter se tornado um deles: buscar e enganar-se tão profundamente pela busca interminável do aparente conforto material. Então, sai da cidade instantaneamente.

Supertramp entra em contato com várias pessoas, entre elas um casal hippie. Neste, há uma mulher que, penosa de ter se desencontrado de seu filho por dois anos, lembra o menino freqüentemente de seus pais. “As crianças podem ser cruéis com seus pais”. Sim, o relacionamento entre pais e filhos, que tão difícil se mostra na juventude, é abordado pertinemente. Vemos a vida de nossos pais como uma seqüência de erros, e só esperamos ser distintos dos mesmos. Às vezes, desejamos tanto estar longe de suas visões caretas, estúpidas, ignorantes, intolerantes das coisas! Sofremos e causamos sofrimento.

O jovem precisou sair para se fazer. Como ele mesmo diz, o ser humano é movido pelo a energia e a alegria do novo. Mas há o velho, o passado, a família, que num fim de dia nos chama, nos atormenta. E há como mediar isso? Como construir suas experiênicas, se aventurar, sem causar saudade, sem se afastar tanto da família ao ponto de não mais reconhecê-la, não mais se identificar com ela?

O contato com a natureza, com seus limites e com a solidão proporciona o entendimento verdadeiro de quem somos. Quando só há a companhia da mente, nos encontramos realmente. É isso que Alex Supertramp acredita e o que segue sem olhar para trás, buscando a sobrevivência sem contar com os artifícios modernos, dando valor ao que realmente conta para a permanência da vida. Este filme, inegavelmente, incita a uma busca por mudança no estilo de vida, por mais ousadia, por mais senso crítico.

A solidão é constante. A aventura, a libertação total tem um preço caro. Sua última frase fica seguidamente em na mente, exigindo uma reflexão: “A felicidade só é real quando compartilhada”. E para se compartilhar, não é preciso ser capaz de entender mais a fundo as pessoas? Assim, ser capazes de perdoá-las, embora tenha cruelmente nos ferido? Perto do fim, um velho senhor diz ao garoto destemido: quando se perdoa, se ama. E amar é sentir a luz, a imensidão do divino em nós.

Into the Wild é o nome original do livro escrito por Jon Krakauer em 1996, e que conta a história verídica de Christopher McCandless. Em 2007, o livro foi adaptado para o cinema, estreando o filme com o mesmo nome do livro. Diretor: Sean Penn.