A história é sobre um garoto que acaba de concluir a formação universitária. No entanto, querendo se desintoxicar dos males da “civilização”, ele parte de casa, livra-se do dinheiro e passa a viver como uma viajante, fazendo e conseguindo tudo unicamente com suas mãos, com sua força de vontade. Leituras como Jack London e convivência com a hipocrisia e a intolerância, que ele acompanhava marcamente em casa, fizeram com que Chris passasse a negar seus valores culturais deletérios, como o materialismo. Assim, nasce o Alexander Supertramp, o nome que dá a seu novo eu. O garoto que diz não precisar de dinheiro, pois este torna as pessoas mais cautelosas, e ter tudo que precisa na natureza, na aventura e
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Supertramp entra em contato com várias pessoas, entre elas um casal hippie. Neste, há uma mulher que, penosa de ter se desencontrado de seu filho por dois anos, lembra o menino freqüentemente de seus pais. “As crianças podem ser cruéis com seus pais”. Sim, o relacionamento entre pais e filhos, que tão difícil se mostra na juventude, é abordado pertinemente. Vemos a vida de nossos pais como uma seqüência de erros, e só esperamos ser distintos dos mesmos. Às vezes, desejamos tanto estar longe de suas visões caretas, estúpidas, ignorantes, intolerantes das coisas! Sofremos e causamos sofrimento.
O jovem precisou sair para se fazer. Como ele mesmo diz, o ser humano é movido pelo a energia e a alegria do novo. Mas há o velho, o passado, a família, que num fim de dia nos chama, nos atormenta. E há como mediar isso? Como construir suas experiênicas, se aventurar, sem causar saudade, sem se afastar tanto da família ao ponto de não mais reconhecê-la, não mais se identificar com ela?
O contato com a natureza, com seus limites e com a solidão proporciona o entendimento verdadeiro de quem somos. Quando só há a companhia da mente, nos encontramos realmente. É isso que Alex Supertramp acredita e o que segue sem olhar para trás, buscando a sobrevivência sem contar com os artifícios modernos, dando valor ao que realmente conta para a permanência da vida. Este filme, inegavelmente, incita a uma busca por mudança no estilo de vida, por mais ousadia, por mais senso crítico.
A solidão é constante. A aventura, a libertação total tem um preço caro. Sua última frase fica seguidamente em na mente, exigindo uma reflexão: “A felicidade só é real quando compartilhada”. E para se compartilhar, não é preciso ser capaz de entender mais a fundo as pessoas? Assim, ser capazes de perdoá-las, embora tenha cruelmente nos ferido? Perto do fim, um velho senhor diz ao garoto destemido: quando se perdoa, se ama. E amar é sentir a luz, a imensidão do divino em nós.
Into the Wild é o nome original do livro escrito por Jon Krakauer em 1996, e que conta a história verídica de Christopher McCandless. Em 2007, o livro foi adaptado para o cinema, estreando o filme com o mesmo nome do livro. Diretor: Sean Penn.

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