Assisti-o nesse sábado bem-acompanhada, quer dizer, reassisti. Lembrei-me de tê-lo visto antes e ficar refletindo sobre a solidão e a convivência. O que ela nos leva a fazer ou a esquecer para não a enfrentarmos. Pensei que o perdão é, antes de tudo, um ato de sobrevivência - porque precisamos de companhia.
É a história de duas pessoas - Dora e Josué - em todas as suas carências e dores - aparando as arestas da personalidade forte para conviver. Na primeira personagem, pude perceber a inculcação de frustração e de desgosto. Seu ofício, escrever cartas num lugar desagradável, sua solidão, falta de marido e filhos, pouco dinheiro, a tornou uma mulher amarga, com tendência a tirar vantagem e pouco se importar com o outro. Ela decide os destinos das cartas que escreve, impondo sua visão limitada por seus preconceitos - fazendo do seu trabalho também uma forma de trapaça.
No segundo personagem, Josué, está estampado a necessidade. Sua mãe, sem instrução, sem posses, deixou-o sem defesas. Tem um temperamento áspero e desconfiado. Não sabe como demonstrar suas fraquezas, não sabe como lidar com a ajuda de outrem.
Dora não é boa, e Josué também não. Não são personagens monocromáticos, fácil de simpatizar. Eles tem em comum a carência. Estando juntos, conseguem abastecer essa privação. Aprendem a se gostar. Destaque para a cena em que Dora fica abatida porque o motorista que cortejou a abandona. Josué, demonstrando sensibilidade inédita, diz que ela está mais bonita de batom e que o homem era um frouxo. Eles conseguem se redimir pelas falhas, Dora principalmente, o que é um aprendizado que nós, telespectadores, acompanhamos.
Questionei-me por que Dora parte e deixa Josué com seus irmãos. Não era aquele o lugar dela com sua família encontrada - o menino? Ou o que cada um tinha que fazer pelo outro já foi feito, e eles precisam seguir a vida? E a saudade? Ela será apaziguada pela foto em frente ao santo, pelas lembranças? Quando chega esse momento da convivência em que é preciso seguir seu próprio rumo e deixar o outro?
As imagens me levaram para o interior das lembranças. A estrutura simples das casas sertanejas, as imagens de santo penduradas (Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e Sagrado Coração de Jesus), a foto-pintura do casal e a novena, trouxeram -me a casa de minha avó, os retratos de minha mãe e meu tempo de legionária. O sertão seco me vem como parte de mim, talvez em virtude de minha avó materna e minha mãe que tiveram parte significativa de suas vidas marcada pela terra seca e a luz alucinante.
É a história de duas pessoas - Dora e Josué - em todas as suas carências e dores - aparando as arestas da personalidade forte para conviver. Na primeira personagem, pude perceber a inculcação de frustração e de desgosto. Seu ofício, escrever cartas num lugar desagradável, sua solidão, falta de marido e filhos, pouco dinheiro, a tornou uma mulher amarga, com tendência a tirar vantagem e pouco se importar com o outro. Ela decide os destinos das cartas que escreve, impondo sua visão limitada por seus preconceitos - fazendo do seu trabalho também uma forma de trapaça.
No segundo personagem, Josué, está estampado a necessidade. Sua mãe, sem instrução, sem posses, deixou-o sem defesas. Tem um temperamento áspero e desconfiado. Não sabe como demonstrar suas fraquezas, não sabe como lidar com a ajuda de outrem.
Dora não é boa, e Josué também não. Não são personagens monocromáticos, fácil de simpatizar. Eles tem em comum a carência. Estando juntos, conseguem abastecer essa privação. Aprendem a se gostar. Destaque para a cena em que Dora fica abatida porque o motorista que cortejou a abandona. Josué, demonstrando sensibilidade inédita, diz que ela está mais bonita de batom e que o homem era um frouxo. Eles conseguem se redimir pelas falhas, Dora principalmente, o que é um aprendizado que nós, telespectadores, acompanhamos.
Questionei-me por que Dora parte e deixa Josué com seus irmãos. Não era aquele o lugar dela com sua família encontrada - o menino? Ou o que cada um tinha que fazer pelo outro já foi feito, e eles precisam seguir a vida? E a saudade? Ela será apaziguada pela foto em frente ao santo, pelas lembranças? Quando chega esse momento da convivência em que é preciso seguir seu próprio rumo e deixar o outro?
As imagens me levaram para o interior das lembranças. A estrutura simples das casas sertanejas, as imagens de santo penduradas (Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e Sagrado Coração de Jesus), a foto-pintura do casal e a novena, trouxeram -me a casa de minha avó, os retratos de minha mãe e meu tempo de legionária. O sertão seco me vem como parte de mim, talvez em virtude de minha avó materna e minha mãe que tiveram parte significativa de suas vidas marcada pela terra seca e a luz alucinante.

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