sábado, 20 de setembro de 2008

Poder além da vida - Peaceful warrior - Victor Salva (2006)

Muito há o que se pensar sobre esse filme, pois este é um daqueles que pretendem justamente isso: fazer o espectador parar e refletir. No começo, fiquei pouca convencida de que este me traria algo de espetacular, o que foi se confirmando com o decorrer do filme. No fim, não achei a mensagem nada demais. É algo que já sabia, mas não com a sensibilidade transmitida pelas cenas. Talvez, por isso, tenha servido. Foi-me apresentada uma forma tangível de usar isso.

O enredo é sobre um rapaz que persegue seu sonho: tornar-se medalhista olímpico na ginástica. Embora sua vida esteja bem-programada, indo no caminho certo, ele se percebe perdido, sentindo que falta algo que desconhece. Envolve-se, então, com um senhor, que parece saber o que fazer sempre: na hora certa, no lugar certo. O velho provoca-o, mostrando ser claramente alguém que segue uma lógica distinta, alguém que inventou sua própria maneira de entender o mundo.

“Encontre suas próprias respostas, pare de seguir os que os outros dizem para você fazer”, diz ele, oferecendo uma primeira dica para se descobrir o que realmente significa viver. Esvaziar a mente, tirar o “lixo” fora, expelir aqueles pensamentos que nos impedem de viver o instante, de sentir o que está acontecendo no presente, é o que sugere o velho, pacientemente, esperando a gradual transformação do garoto num guerreiro.

Das partes que mais me encantaram, fica a que o velho, encarnando bem estereotipicamente o perfil de sábio, fala que ser guerreiro não significa ser perfeito, ter sempre vitórias e ser invulnerável. Pelo contrário, significa reconhecer ser fraco: a completa vulnerabilidade. É justamente ao lidar com essa verdade que se encontra a verdadeira coragem.

O senhor insiste inúmeras vezes na distinção entre conhecimento e sabedoria, expondo que a última está totalmente associada à ação. Desse modo, perante um assalto, “age” com compreensão em relação aos assaltantes, afinal, como ele bem sabe “aqueles que são difíceis de amar, são os que mais necessitam”.

Ele oferece também três direcionamentos de consciência para o jovem, nomeadas de: paradoxo - não perca tempo tentando entender as coisas, a vida é um mistério; senso de humor - aprenda a rir, principalmente de si mesmo, saber se divertir é uma boa proteção contra os problemas; e mudança - saber que nada permanece o mesmo.

Como eu disse antes, o filme é permeado de clichês, muito pretensioso com suas filosofices e não traz nada de completamente novo. Por tudo isso, pode ser impressionante que tenha me feito diferente. Pode ser que seja a composição de algumas imagens, exibidas em câmara lenta, ou porque a gente costuma deixar de lado o que, no fundo, sabemos. Há uma necessidade de nos lembrarmos constantemente da importância de se viver o momento, de jogar fora tudo os devaneios de futuro e passado, de não se mover buscando unicamente resultado, mas compreendendo que o que traz felicidade é o processo, a jornada, e não o fim, até porque este é imprevisível, fora de nosso controle. Não temos controle sobre a vida, ponto. Termino o texto, com o mesmo fim de Victor Salva:

Onde você está?

- Aqui.

Que horas são?

- Agora.

O que você é?

- Este momento.

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